Os dias que passaram foram difíceis. Muito difíceis. Perderam-se muitas vidas, muitas relações, muitas conquistas. Deram-se passos para trás, num mundo que devia subir degrau a degrau o caminho da tolerância, paz e humanidade.
Num mundo que, num momento, tem tanto para dar como para tirar, como educarmos as nossas crianças?
Contamos a verdade?
Tentamos esconder a dor e o sofrimento?
Explicamos porque, já aqui ao lado do nosso país, estão outras tantas crianças a chorar?
Pelo conhecimento que fui adquirindo mas, principalmente, pela minha experiência, penso que dizer a verdade às crianças é sempre o preferível. Obviamente estamos a falar de crianças já com algum entendimento, capazes de processar a informação que temos para dar.
As crianças são verdade. Quando não gostam, dizem. Quando gostam, dizem também. São as primeiras a admitir que sim, é bom. Por outro lado, quando é mau, dizem não. Assim, parece-me ideal contar-lhes a verdade. Através disso, começamos desde logo a transmitir a humanidade que nos falta, tantas vezes que não olhamos e reconhecemos quem está ao nosso lado. Transmitimos-lhe que, mesmo pertinho de nós, existem pessoas que hoje choram porque não têm quem mais gostam. E viveram um acontecimento que não lhes sairá nunca mais da memórias. Mas essas são pessoas que precisam de apoio, ajuda e suporte para seguirem as suas vidas.
Porque tudo segue em frente, certo?
Sem ter nada haver com o pânico gerado em Paris, nos últimos dias, mas sendo também um ato de terrorismo, lembro-me sempre daquele episódio que se passou há alguns anos, em que um jovem entrou numa escola e, sem mais nem menos, disparou à queima roupa sobre as crianças que se encontravam nas salas a ter aulas. Uma professora de educação física escondeu as suas crianças no armário para se manterem protegidas e vivas. Ela morreu.
Este episódio leva-me sempre a refletir a importância de transmitir a tolerância, a paz e o aceitar da diferença às crianças cujas vidas temos a oportunidade de influenciar. Mais do que reforçar vezes sem conta o que aconteceu, explicar o errado que isso é e fazer valer estes valores.
Em qualquer parte do mundo, as crianças sonham em serem felizes. Umas com as outras.
E basta passarmos meia hora num intervalo duma escola primária para perceber que, ali, não interessa a cor, a etnia, o género, a religião. Ali são crianças.
E basta passarmos meia hora num intervalo duma escola primária para perceber que, ali, não interessa a cor, a etnia, o género, a religião. Ali são crianças.
E, se, quando lhes tentarmos explicar alguma coisa, também tentarmos aprender com elas?
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