quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Fome na escola.

Ainda em seguimento da reunião a que fui à escola secundária que frequentei, descobri mais profundamente que a Associação de Pais abarca um projeto único, incluído no Orçamento Participativo da Câmara de Cascais.

A escola recebe os papéis que todos os alunos e famílias entregarem. Em vez de o colocarem no papelão, os alunos acabam por ter a responsabilidade de entregar o papel (sabem que estão a fazer algo de muito importante pelos outros... já vão perceber porquê) e, ao mesmo tempo, é-lhes incutida a importância da reciclagem para um mundo melhor.

Ao entregarmos este papel, a Associação de Pais vende toneladas do mesmo, que revertem em dinheiro. Esse dinheiro é utilizado para comprar comida para crianças que estão na escola, com fome.

Quando ouvi isto, apesar de já conhecer a iniciativa, dei-me conta que não estava tão inteirada dela como devia, e isso é um erro. A pressa do dia-a-dia, o stress, leva-nos a que não ouçamos nem vejamos com a atenção que devíamos. Esta é, sem dúvida, uma iniciativa de louvar e, quem me dera a mim, poder um dia trabalhar numa escola com iniciativas assim.

O que mais me deixou perplexa foi que, no final do ano letivo passado, em Junho, estavam a ser alimentadas 74 crianças. Fiquei em choque, porque nem uma deveria precisar desta ajuda! Imaginem o que seria se este projeto não existisse, se o papel não fosse dado e a ajuda ao outro não fosse contemplada. Estas seriam crianças com fome.
Provavelmente, já o foram.

Este tema faz-me pensar em como nós, professores/futuros professores/educadores ou pessoas envolvidas no setor da educação, estamos muito mais envolvidos nestes assuntos e não poderão nunca passar-nos ao lado. Nem devemos deixar que isso aconteça. Iniciativas como estas fazem-me sentir que a educação não fica pela lição que tem de ser dada, mas a esta acrescenta a formação de um ser humano feliz, livre e saudável em todas as suas dimensões.

E ainda bem!

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